domingo, 14 de setembro de 2008

1 olhar novo

1 olhar


Da expressividade e reflexo do teu olhar, vejo um mundo novo lá fora. Ele vem da tua mente e, através do teu olhar, entra pelo meu e também eu viajo para esse novo mundo. O local é cosmopolita, sem dúvida. Onde? Não estou certa: Nova Iorque?! Talvez Londres, Paris, Budapeste ou Viena... não importa. Não importa em que mundo te deslocas, importa o que ele diz de ti. Este diz que estás divertida, espantada até com o quanto te tens sentido viva e alegre. Tem-te mostrado uma forma de amar até então desconhecida. O amor pela cultura: a arquitectura inesperada e cheia de contrastes, um beco de paredes em tijolo, pintadas de mil cores por um qualquer aprendiz da arte; um beco com cheiro a urina, mas onde ainda se consegue sentir o aroma do jardim das traseiras de uma respeitável habitação contígua, num bairro que já teve melhores dias. Um frondoso parque em frente. Perdes-te a observar um velho casal que namora no relvado, com elegantes copos de vinho rosé junto deles; o fontanário onde um passarito de espécie a ti desconhecida toma banho e, através do reflexo da montra de uma chapelaria, os carros de alta cilindrada que atravessam a avenida. Da saída do metro, chega uma música de violino que anima umas amigas sentadas numa esplanada. Estás só, mas sentes-te parte integrante do mundo. Hmmm... perdi-me deambulando na tua mente, no meu próprio texto... retomo: Tem-te mostrado uma forma de amar até então desconhecida. O amor pela cultura: a arquitectura inesperada e cheia de contrastes, pelo cinema e a música, com os seus cartazes apelativos, uns brilhantes com néons, outros ao estilo rétro, com atraentes pin-ups hipnotizando as gentes e levando-as a entrar. Os musicais e os bares de jazz donde sai um forte cheiro a tabaco e um som intoxicante de saxofone. Os museus de pintura e teatro, que por alguma razão sempre te fizeram lembrar o teu amor pelos livros, por onde passeias e fazes mentalmente aquele jogo de escolher o teu preferido em cada sala, o que levarias para casa se fosses rica até mais não. Passeias-te pela história de um local, do mundo até; da evolução - a boa e a má. Descansas então num café noir, polvilhado aqui e ali de pessoas do bairro, que não reparam em ti porque não te conhecem, e para elas, o que não se conhece é para se ignorar. Deixas as esculturas para outro dia, dedicas-te a encontrar um restaurantezinho simpático, que tenha vaga uma mesa junto à janela, para comeres com quem passa - nunca gostaste de comer sozinha; para ti, essa é a marca da solidão. Já noite escura, caminhas longamente até casa, miras os betos e os punks e todos os outros que por ti passam; sorris, tentando compreender o contexto das suas conversas. Já no pequeno apartamento, fazes um chá e elevas os pés nos (a)braços do sofá. Estás feliz... e estoirada.

imagem retirada de: http://www.olhares.pt/

11 comentários:

Cati disse...

A tua mente não está doente... nunca esteve tão sã. If this is insanity, let us be insane!!!

*****

Beijo*

Token disse...

Pssiiiuuu... Parece que aprecias o CALOR da noite!

Às escondidas não conta! Mpu-mpu!

nekot@sapo.pt

Não te negligencies! Sigilo!

Assinado: o homem do LEITE!

Blue Eyes disse...

Bonito! Mesmo!
(E não foi preciso virar o mundo do avesso) ;)

Uma beijoca!

giacomo disse...

Sofia,

Mente doente, porquê??? doente? nada, nada mais são que o prazer tirado do espectáculo do mundo.
Que nos quer obrigar a representar, mas porque não parar e observá-lo, apenas?

Gosto da "voz" deste post. O olhar sobre as coisas - sobre si própria, tb... Doente? Nem pensar.

Clarice disse...

Viajar é olhar...depois é o regresso à casa onde mora o nosso olhar, e um "(a)braço" se for o caso...

*são livres as tuas palavras, Sofia!

beijinho.

Maria Tarot disse...

Conheça o que o futuro lhe reserva!

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aespumadosdias disse...

E quem é ele?...

Sofia disse...

Cati, doente só temporariamente... é do começo do ano lectivo; depois passa-me!

Blue Eyes, ainda bem que não foi preciso virar o mundo do avesso; fico feliz por estares feliz, mas se algum dia for preciso virá-lo, vira-o e pronto!!!

Giacomo, devo dizer que dei uma voltinha lá pelo vosso cantinho e gostei. Bem vindo à caixinha dos meus botões!

Clarice, e ao chegar a casa vinda de viagem, não são só os pés que se elevam; a alma também! :)

espumadosdias, ele quem?!? Não percebi nicles... :S

Maria Tarot, já não me bastava ter por aqui o homem do leite, ainda vens tu fazer publicidade ao teu negócio no meu espaço que não é dado a coisas do género?! Ele é com cada uma...

Vício disse...

que tipo de cultura era?

Moura ao Luar disse...

Sabe bem divagar assim... logo hoje que estou tãoooooo impertinente

Casemiro dos Plásticos disse...

acho que o grande mestre alves pode-te ajudar...lol
boa semana e um beijo.
sim, regressei!