quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Despontar... part VIII

Encolheste os ombros e não respondeste. Agarrei nos meus livros e fui-me embora.
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Nessa tarde, tocaste-me à campainha. Abri a porta sem saber que eras tu, pensando que era o carteiro ou publicidade, porque quando perguntei "quem é?", não respondeste. Quando te vi, o meu espanto foi abismal, mas tu mostraste-te calmo. Estavas calmo? Entraste assim que a porta se abriu o suficiente para que o pudesses fazer. Fechaste a porta enquanto eu recuava perante o teu olhar determinado. "Está frio e quero-te", foi só o que disseste. Avançaste para mim tão rapidamente quanto eu recuei aterrorizada pela ideia de ser feliz, pela ideia de concretizar o que talvez quisesse apenas continuar a sonhar. Só paraste quando, comigo já encostada à janela, pisando a ponta do cortinado, estavas suficientemente perto para te sentir a respiração ofegante e murmuraste "Bate-me. Eu sei que mereço". Na minha loucura, no meu desespero, num transe de quem não se sentia fazendo parte deste mundo, bati-te com quanta força tinha, reconhecendo porém que, com o tremor, não era muita. Avançaste mais então e com a força de quem não treme e sabe o que faz, beijaste-me de uma forma que eu desconhecia ser possível beijar e ser beijado. A visão ficou turva, o olfacto e o tacto inebriados com tanto em tão curto espaço de tempo, o cérebro em branco. Não parámos sequer quando o cortinado e respectivo varão cederam às leis da gravidade, e embrulhados ficámo-nos ali no chão.
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O meu nervosismo era revelador da minha inexperiência, e quando, abraçados, me confessaste a medo que estavas completamente apaixonado por mim, não soube o que dizer. Não queria pensar. Não queria dizer nada. Não queria estragar. Continuei como estava, cabeça assente no teu peito, gozando o momento, ouvindo o teu coração batendo acelerado. Não sei quanto tempo assim permanecemos. A mim pareceu-me dois segundos, mas sei que terá sido bastante mais. Sei também que deves ter pensado que já teria passado tempo mais que suficiente para eu te ter respondido, caso tencionasse fazê-lo. Levantaste-te indignado, vestiste-te em fúria, vieste até bem perto de mim, olhaste-me bem nos olhos e balbuciaste entre dentes: "És uma vaca". Saiste, batendo com a porta.

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(last chapter, maybe tomorrow)

22 comentários:

princesinha urbana disse...

Ena pá, que reviravolta! Por esta não esperava eu... Quero mais!!! :)

Cati disse...

Por mim podia acabar já assim... cabrão por cabrão... temos aqui um belo final!!! (e finalmente a cena aqueceu...)


Waiting to know what happened to the mthfckr... LOL

Já sabes... me like, me want more!

Beijo com xi coração apertado

xá-das-5 disse...

ahhhhhhhh leão!

redjan disse...

sof: tenho andado a mil ... passo com calma depois e absorvo tudo .... promise !!!

Carlos Lopes disse...

Tudo bem feito, bela reviravolta. Vamos lá terminar isso...

Sadeek disse...

Bom dia Sofia.

"Grande Vaca"?!?! Este gajo não é meu colega, não?! E não anda a estender tijolo, por acaso?!
Digno de figurar nos "ditos do andaime", não te parece?!

Beijão

Vício disse...

tu devias saber que não era o carteiro porque esse bate sempre 3 vezes!

acho que esta história vai acabar numa quinta! ele chama-te vaca e mostra ser uma grande burro!
quem sabe apareçam por ai umas galinhas ou uns patos...

quintarantino disse...

Mas, afinal, se o cavalheiro não era o carteiro era o quê? Trolha? Só pode... "uma vaca"? Uma vaca? Siderado...

Francis disse...

eu estou a com a princesinha urbana. ganda volta.

ps : tive que ir ler os outros.

tuga disse...

hummmmmm.... Vamos ver isto pelo lado positivo.

" quanto mais me bates???" Vc chegou-lhe a roupa ao pelo!!! e... ele parece que gostou.Depois.... as pazes!!! e mimos como "Vaca"... OK Ha quem goste e ache que apimenta a coisa mas...,,, parece nao ser o caso. Parece mais uma cena de Feios porcos e maus. QUando a personagem voltar a bater a porta enfie-lhe o caixote do lixo p'la cabeça abaixo. Assim fica mesmo porco e tem uma boa desculpa para o mandar a maezinha.

Joseph disse...

Sofia
OLá,

E como sempre gostei... ainda que tenha ficado pendurado para o happy end???
Depois de te ter chamado Vaca, não acredito num final feliz, mas no fim de uma história que poderia ter tido um final feliz.
Mas a história está na tua cabeça...
Gosto muito da maneira como descreves as coisas....(repito-me talvez).

Sim o poema que hoje postei é dedicado a todas vós. Com o maior carinho.

Agradeço que respondas ao meu mail, e se tiveres alguma questão a pôr é só escrever um P.S.

2 beijocas quentinhas... porque aí também deve estar muito frio.

Sofia disse...

Princesinha urbana, ainda hoje, se tiver tempo, ou amanhã, terás o último capítulo da história.

Cati, wait for the arrefecimento!!! You'll all know what happened to the mthfckr!

Xá, ainda que eu seja do Sporting, "ahhhh leão"?! nop, nop, nop... tststs

Sofia disse...

Red, outros voos, hein? Don't worry! I'll be here, waiting 4 u!

Carlos, quando TU dizes isso, fico toda envergonhada. Logo TU, que escreves que é uma delícia. Acabo hoje ou amanhã! ;)

Sadeek, na história, o gajo é estudante. A personagem "morre" na história ainda sendo estudante. O que poderia vir a ser, não sei...

Sofia disse...

Vício, também dá para enfeitar o presépio... Aliás, é por isso que o post foi feito nesta época!

Quintarantino, siderado?! lol
Nunca tinham dito isso sobre nenhum post meu, nem nada que eu escrevesse. Fico feliz por causar tão grande impacto.
Ainda sobre a profissão da personagem: era estudante!

Francis, foste ler os outros? UAU! Que grande elogio esse que acabaste de me fazer! E que tal? Gostaste?

Sofia disse...

Tuga, volta mais tarde ou amanhã e logo vês o que fiz ao porco! ;))

Joseph, na minha visão, a história só tem o final que podia ter. Está-se mesmo a ver. Suponho que não é o mesmo que na vossa visão, mas é a minha. Contudo, vocês têm que esperar mais um bocadito para saber qual é esse final.

Rafeiro Perfumado disse...

Abrir a porta sem saber quem é? Mau exemplo para as crianças, olha se fosse um gaijo a querer vender Enciclopédias...

Mónica disse...

Olá Sofia,
Embora não tenha acompanhado os capítulos anteriores, atrevo-me a dizer (pelo que li) que só se perderam as que caíram ao chão!
lol
Na semana do Natal vou ler a história toda!
Beijinho

AJO disse...

Caramba a cena aqueceu e teve um fecho 5 estrelas. Que reviravolta. Confesso que não estava à espera deste fecho... venha mais. Muito Bem feito... tou amar... BJS

SILÊNCIO CULPADO disse...

As emoções são como os vulcões. Nunca sabemos quando entram em ebulição nem a forma como entram. E, por vezes, queimam e deixam destruição onde menos se espera.


Obrigada pelas palavras gentis que tens deixado no meu blogue do qual tenho estado ausente por motivos de saúde de familiares próximos e amigos.
Assim que pude vim logo visitar-te.Amanhã, terei no Silêncio Culpado um texto de opinião em que me identifico e me mostro com o nome e o rosto que tenho.

htsousa disse...

Bem, que continuação BRUTAL!!! É que consegui ver a cena a desenrolar-se! Parabéns, Sofia!

Cá para mim, ela vai descobrir que só o queria para o sexo e mantê-lo durante uns tempos! :P

Professorinha disse...

Uma vaca???... Mas... ai... será que... eu amanhã quero ver esse fim!!........ e nem sei se aguento até lá...


Beijos

Mónica disse...

Bom dia Sofia

A nossa gata já miou... dá lá uma espreitadela, que vale a pena.
Tem um óptimo dia!
Beijinho