Se existem coisas neste mundo que não são para se perceber bem, esta é uma delas. Este meu post vai ser confuso, vai soar confuso e, provavelmente vocês vão sentir-se confusos ao lê-lo. Se não se sentem com coragem para ler, o melhor é desistir já. Muito do que se vai seguir, é mesmo incompreensível. A culpa não é minha. Serei clara. O problema é que eu própria percebo muito pouco do que tenho para dizer. De qualquer das formas, sinto que tenho de dizê-lo.
O que eu quero é fazer um elogio ao amor puro. Às vezes penso que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver o amor platónico, o amor impossível. Quem é que aceita amar sem uma razão? Esquecem-se porém que o amor tem razões que a própria razão desconhece. Li, há muito tempo, num lugar qualquer, que um gajo do antigamente se meteu num navio para ir atrás de uma rapariga que não conhecia, com quem nunca tinha falado. Deu por ele em Inglaterra. Estava apaixonado, coitado! Quando conseguiu falar com ela, desiludiu-se. Quem é que hoje em dia é capaz de se apaixonar assim?
Agora as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas de trabalho e estão mesmo ali à mão de semear. Porque não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque traz dinheiro. Porque fica mais barato. Porque dá para comprar uma casa. Por causa da falta de sexo. Por causa da roupita e das contas do supermercado. Fazem-se contratos pré-nupciais, discute-se tudo de ante-mão, de quem é o carro, e o frigorífico, e o sofá da sala, fazem-se planos e à mínima merdice entra-se "em diálogo". Combina-se o amor. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se. Discutem situações. Tomam decisões. O amor, esse sentimento que devia ser desmedido, é na medida do possível. Resultado: as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas.
Estou já farta de conversas, farta de compreensões e entendimentos, farta das conveniências. Nunca vi namorados tão embrutecidos, cobardes e comodistas como os de hoje. São uma raça de telefoneiros e conversadores de msn, pessoal do "tá-se bem", "na descontra", matadores de romance... Será que já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza de morte, o medo, o carrossel emocional que leva ao desequilíbrio mental, o custo, o amor - essa doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta na alma e nos rebenta o peito de alegria e sofrimento, tudo ao mesmo tempo?
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Ainda que eu falasse
A língua dos anjos
Se não tivesse amor
Seria como um sino ruidoso
Ainda que tivesse o dom da profecia
O conhecimento de todos os mistérios
E de toda a ciência
Ainda que tivesse toda a fé
A ponto de transportar montanhas
Se não tivesse amor
Nada seria
O Amor é paciente
O Amor é prestativo
Tudo espera
Tudo suporta
O Amor jamais perecerá
As profecias desaparecerão
As línguas cessarão
A ciência também desaparecerá
Agora portanto permanecem
A fé, a esperança e o amor
A maior delas, porém
É o Amor
A maior delas, porém
É o Amor
Este poema não é de minha autoria; foi retirado da banda sonora de um filme - "3 cores: Azul", que acabei de ver há pouco... andava ali a rebolar na sala há imenso tempo, porque sou estúpida - se soubesse o que andava a perder, tinha visto há mais tempo.