terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Despontar... part VI


Nunca fui magra, mas nas horas que se seguiram, não sentia os pés no chão. A minha alma voava lá no alto e o meu coração saiu disparado, correndo leve como nunca tinha corrido, por lugares que nunca tinha sentido. Como te sentiste tu, não sei. Sei que aquele momento alterou por completo a minha vida, mudou a minha forma de estar e de sentir, nunca eu havia sido tão feliz, e fez-me admitir a verdade, pelo menos para comigo: estava irreversivelmente apaixonada por ti. Sentia o teu cheiro no ar sem que estivesses por perto. Era para te ver que todos os dias me levantava. Era para vibrar com a tua voz que te ouvia, muito embora muitas das vezes não ouvisse realmente o que dizias... viajava. Viajava até ti, sentia-te, sentia-me em ti e sentia em nós a raiva bruta por não conseguirmos mais controlar nem disfarçar os sentimentos loucos pelos quais éramos levados a dizer e cometer as mais horríveis e as mais belas loucuras. Dias de ir às lágrimas de tanta dor que nos causávamos, dias de sonhar com novo encontro e de o desejar ardentemente, com o sangue a fervilhar e os dedos a tremer. Curiosamente, só não parecíamos desejá-lo no mesmo dia, à mesma hora. Isso dificultava as coisas... como o nosso orgulho era enorme. Nenhum iria mostrar ao mundo o que sabíamos ambos em privado. De dia mal nos olhávamos; à noite, passávamos horas ao telefone e eu sentia-me qual Cinderela do Carlos Paião... "e são namorados sem ninguém pensar"! Não que nos declarássemos ao telefone ou disséssemos umas lamechices. Não. Falávamos de banalidades, de algum colega, de algum professor que tivéssemos em comum, ou não. Falávamos de algum projecto que tivéssemos para fazer, do fim-de-semana, das férias que tinham passado ou que estavam a chegar, de roupa, de cinema, de música... muitas vezes discutíamos. Algumas vezes, esgotado o tema de conversa limitávamo-nos a ficar com a orelha encostada ao telefone a ouvir as conversas que se passavam na casa do outro. Foi assim que fui testemunha silenciosa de discussões que por vergonha nunca fui capaz de tas comentar. E vice-versa. Foi assim que fiquei a conhecer quase tudo o que sei a teu respeito. Sem que as pessoas ao nosso redor o suspeitassem, tornamo-nos muito íntimos e conhecedores do que se passava pela cabeça do nosso outro "eu". Mas claro, também este estado de graça chegaria ao fim.
(to be continued)

28 comentários:

Mary disse...

Tem um prêmio para vc lá no meu blog.
Passa lá para pegá-lo.
Bjs

Catarina, disse...

Bem anda ai embrulhada grande =/ estar apaixonada assim aiaiai não é do melhor.

Um beijinho *
cat**

Mr X disse...

Estamos a falar do mesmo gajo?

Cati disse...

O amor movimenta-se em caminhos misteriosos... cruza-se com o ódio e com ele se confunde... dá voltas, reviravoltas, sorri e chora, respira fundo e... sabe-se lá se ficará pela paixão ou se se esfumará na névoa...

Fico à espera de saber.
Adoro a maneira como descreves os movimentos sorrateiros mas devastadores do amor.

Um beijo enorme...

Hindy disse...

Passo a correr só para deixar um beijinho hindyado!

Casemiro dos Plásticos disse...

palvras bonitas e singelas... :)

Joseph disse...

Sofia
Boa noite

Já dormes?????????
Era disto que eu estava à espera, mas como estamos na época do Natal, foi escrito deliberadamente "um tanto soft", de propósito?
Mas está lá tudo: a construção do tema, as voltas que a vida dá e o amor ou ....?
Aguardo a continuação.

Um beijinho muito grande daqui da Beira.

Vício disse...

"Sentia o teu cheiro no ar sem que estivesses por perto."
Seria falta de banho?

htsousa disse...

Cada vez gosto mais! Sente-se a mudança de tom, quase uma mudança de cor, de parágrafo para parágrafo.

Estou curioso, o que virá a seguir?!

The plot thickens...

Atlantys disse...

Estou curiosa (muito) pelo seguimento da história =))
Aguardo desenvolvimentos ;-)***

Francis disse...

vamos lá esperar para saber se acaba ou não...so far so good.

Rafeiro Perfumado disse...

O início do teu texto fez-me lembrar o meu primeiro beijo...

marco disse...

anda muito love por aqui?

ou que lamechas que me saiste...lol!

mas sao bonitas...quem? ...as palavras!

Sadeek disse...

Boa tarde Sofia,

Já vi que a coisa por aí está como o tempo por aqui...um bocado para o "nevoeirento", não?!

Segura a "barra"...

Beijos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quem nunca amou com a dose deliciosa de loucura capaz de silenciar as dúvidas mais gritantes? Quem nunca amou e foi capaz de descobrir um mundo onde não havia coisas erradas ainda que os nossos olhos descobrissem as desconformidades? Quem nunca amou e aceitou o inacentável só porque amava? Quem nunca amou e ficou insatisfeito mas teve vergonha de demonstrar o quanto é vulnerável? Quem nunca amou e esperou como um mendigo ainda que dentro do seu palácio fosse rei? Quem não sentiu tudo isto nunca foi gente e nunca será capaz de compreender este ou outro sentimento. Porque é na intensidade dos afectos que as pessoas crescem e renascem.
Gostei do texto (muito).

Eduardo Jai disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo Jai disse...

Vou seguir as peripécias do combóio que só conheci na 6ª estação.

Um dia BOM.
:)

Sofia disse...

Mary, obrigada pela distinção. Um prémio vindo de si é sempre uma honra. Vou já postá-lo!

Catarina, estar apaixonada é sempre uma embrulhada do melhor!

X, os seres humanos são como as cebolas; quando se lhes retira as camadas de fora, vemos as de dentro! lol
Ninguém é totalmente mau (nem bom)!

Sofia disse...

Cati, o amor movimenta-se em caminhos misteriosos é uma boa forma de pôr a questão, pois nem eu sei para onde a história vai! Vamos todos ter que esperar.

Hindy, obrigada pela passagem, ainda estamos a sentir o vento levantado pela correria...

Casemiro, palvro bem, hein?!
Tipo papagaio, catatua ou quê?! ;))

Sofia disse...

Joseph, descobri no fim-de-semana que a minha mãe lê o meu blogue quase diariamente! No more hardcore!

Vício, nop... a personagem é uma espécie de rafeiro perfumado!

Sousa, como eu já disse à Cati, temos todos que esperar para ver. Eu própria não sei para onde vou levar isto...

Sofia disse...

Atlantys, ainda bem que gostaste! É bom ter-te por aqui!

Francis, como acaba, ou não, ainda estou por decidir!

Rafeirinho, aquando do teu primeiro beijo o que tu pensaste foi: "eu nunca fui um rafeiro magro!"?

Sofia disse...

Marco, "bem piroso e lamechas como o amor deve ser!", don't you agree?!

Sadeek, o tempo por aqui está de uma forma que nenhum barco zarpa do porto... deve ser por falta de uma barra!

Silêncio, que dizer quando o comentário ultrapassa em muito a qualidade e a profundidade do texto comentado?

Sofia disse...

Eduardo, welcome aboard! Hope you enjoy the trip.

Joseph disse...

Sofia
Olá

Venho daqui perto e aqui estou para te cumprimentar e tomar nota.....

Sabes o que é um mail?

Dorme bem.
Um beijinho amigo e beirão.

The Wolf disse...

isto vai! vai vai!

The Wolf disse...

ups,

e beijos!

AJO disse...

Maravilha... tive que ir ler os anteriores posts e isto vai do melhor para melhor... continua que sabe bem...

darkman disse...

temos alguns em comum. mas tb com essa lista enorme tínhamos de ter... :p