Passados quatro meses o telefone finalmente tocou. O que ouvi, espantou-me, matou-me e fez com que me refizesse. A chorar, com voz rouca disseste: "Que fui fazer? Está grávida, Maria! Ela está grávida. Não sei o que fazer. Tens que me ajudar". Então, de lágrimas nos olhos e pensando que não havia mais nada que aquele homem me pudesse fazer, nenhuma forma mais vil de me magoar, respondi gloriosamente, com uma voz suave e firme ao mesmo tempo: "Agora vais ter que ganhar juízo e começar a usar a cabeça de cima para pensar. Afinal de contas, deves isso ao teu filho". Desliguei.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Despontar... capítulo final
Passados quatro meses o telefone finalmente tocou. O que ouvi, espantou-me, matou-me e fez com que me refizesse. A chorar, com voz rouca disseste: "Que fui fazer? Está grávida, Maria! Ela está grávida. Não sei o que fazer. Tens que me ajudar". Então, de lágrimas nos olhos e pensando que não havia mais nada que aquele homem me pudesse fazer, nenhuma forma mais vil de me magoar, respondi gloriosamente, com uma voz suave e firme ao mesmo tempo: "Agora vais ter que ganhar juízo e começar a usar a cabeça de cima para pensar. Afinal de contas, deves isso ao teu filho". Desliguei.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Despontar... part VIII
Encolheste os ombros e não respondeste. Agarrei nos meus livros e fui-me embora.
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Nessa tarde, tocaste-me à campainha. Abri a porta sem saber que eras tu, pensando que era o carteiro ou publicidade, porque quando perguntei "quem é?", não respondeste. Quando te vi, o meu espanto foi abismal, mas tu mostraste-te calmo. Estavas calmo? Entraste assim que a porta se abriu o suficiente para que o pudesses fazer. Fechaste a porta enquanto eu recuava perante o teu olhar determinado. "Está frio e quero-te", foi só o que disseste. Avançaste para mim tão rapidamente quanto eu recuei aterrorizada pela ideia de ser feliz, pela ideia de concretizar o que talvez quisesse apenas continuar a sonhar. Só paraste quando, comigo já encostada à janela, pisando a ponta do cortinado, estavas suficientemente perto para te sentir a respiração ofegante e murmuraste "Bate-me. Eu sei que mereço". Na minha loucura, no meu desespero, num transe de quem não se sentia fazendo parte deste mundo, bati-te com quanta força tinha, reconhecendo porém que, com o tremor, não era muita. Avançaste mais então e com a força de quem não treme e sabe o que faz, beijaste-me de uma forma que eu desconhecia ser possível beijar e ser beijado. A visão ficou turva, o olfacto e o tacto inebriados com tanto em tão curto espaço de tempo, o cérebro em branco. Não parámos sequer quando o cortinado e respectivo varão cederam às leis da gravidade, e embrulhados ficámo-nos ali no chão.
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O meu nervosismo era revelador da minha inexperiência, e quando, abraçados, me confessaste a medo que estavas completamente apaixonado por mim, não soube o que dizer. Não queria pensar. Não queria dizer nada. Não queria estragar. Continuei como estava, cabeça assente no teu peito, gozando o momento, ouvindo o teu coração batendo acelerado. Não sei quanto tempo assim permanecemos. A mim pareceu-me dois segundos, mas sei que terá sido bastante mais. Sei também que deves ter pensado que já teria passado tempo mais que suficiente para eu te ter respondido, caso tencionasse fazê-lo. Levantaste-te indignado, vestiste-te em fúria, vieste até bem perto de mim, olhaste-me bem nos olhos e balbuciaste entre dentes: "És uma vaca". Saiste, batendo com a porta.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Despontar... part VII
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Despontar... part VI
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Despontar... part V

Fui embora. No dia seguinte, ao telefone a minha melhor amiga chorava... tinha que falar comigo. Fui a casa dela e então soube... Ela havia ficado mais tempo, a meia dúzia de pessoas que tinha ficado foram para um bar, beberam... Tu ofereceste-te para a levar a casa e o teu encanto havia-lhe sido irresistível. Que fazer, que dizer? Chorando, ela pedia-me perdão. Dizia-me que tinha sido uma loucura momentânea, um acto irreflectido, fruto do alcóol. E eu... perdoei. A ti, deixei de olhar para a tromba. Que doce sabor de vingança deves ter experimentado então. Odiei a pessoa pouco digna em que me transformaste.
A minha vida seguiu vazia e desprovida de sentido, tentando ignorar a tua existência nos meses que correram. Até ter caído em Educação Física. Torci o pé. Fui mandada mais cedo para o balneário. Tomei um duche quente e demorado, enrolei-me na toalha e parei junto ao lavatório, lavando as areias presas nos ténis, antes de os arrumar dentro do saco.
Umas mãos tapam-me os olhos, uns lábios deslizam pelo meu pescoço. Sou encostada com força contra uma parede, e antes de ter forças para gritar, sinto a tua língua nos meus lábios, o teu beijo sequioso, o peso do teu corpo contra o meu, a tua mão a subir-me pela perna até ao rabo que apertas com prazer visível no teu olhar... "Vim só ver se estavas bem" e foste-te...
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Despontar... part IV
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Despontar... part III
Não sei como nem se foi a partir daí que a nossa relação se revelou de completo amor-ódio. Sei que os insultos parte a parte começaram a ocupar um grande bocado dos nossos dias. Tu agredias-me verbalmente até que eu, que nunca fui adepta de acesas discussões, me irritava de tal forma, que te respondia na mesma moeda. Discussões intermináveis, que me deixavam exausta e triste. Tu sabias como tocar nos meus pontos fracos, magoar-me e mesmo sem nunca conversarmos, tornavas claro que me conhecias intimamente. Não tinhas qualquer pudor em usar o teu poder sobre mim até me levares à loucura.
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Certo dia, desvairada, esbofeteei-te com todas as minhas forças. Paraste, surpreendido. Recuperaste do espanto em dois segundos, voltando a insultar-me logo de seguida... Oh situação arrasadora... Levantei de novo a mão que agarraste com força, e com segurança, puxaste-me para que não pudesse escapar de ti, do teu cheiro que ainda hoje sinto, e olhámo-nos profundamente. "Beija-me", disseste, afrouxando a mão do meu pulso e o braço da minha cintura. Fitei-te ainda durante uns momentos, hipnotizada com a doçura dos teus olhos, esse brilho, esse fogo que nunca se te apagou e que lembrarei sempre. Lia em ti o desejo que era meu, a paixão na expressão do teu olhar, a pressa de saciar a sede de que sofríamos, que nos envolvia e que tomava conta de nós. Aquele querer de quem não quer querer, mas ainda assim o quer. Ainda presa em ti, olhando-te, não sei explicar o que me passou pela cabeça.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Despontar... part II
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Despontar... part I
Paraste à frente do quadro. Olhaste à volta. Olhaste-me. Seguiste na minha direcção, sentaste-te na mesa ao meu lado e murmuraste com um ego do tamanho de um estádio de futebol: "Tás a olhar para mim, boneca?" - Corei violentamente... o meu coração disparou e soube-o imediatamente. Não podia ser ele, pensei. Odiei-o.
Pensei no quão dolorosa seria a minha vida dali para a frente, obrigada a conviver diariamente com um engatatão, convencido de merda. Ele reparou que os meus pensamentos eram para com ele: "Não precisas de ter vergonha. Já percebi que gostaste de mim... eu também gostei de ti, embora sejas um bocado beta".
As horas arrastaram-se ao teu lado. Tentei ouvir a pessoa que discursava, mas só ouvia o nervoso coração no meu peito e a tua voz na minha cabeça. Sentia a face quente de embaraço e os olhos faiscavam de raiva pelo quanto tu te sentias inatingível e superior. Foi quando a apresentação acabou. Já fora da sala, olhaste-me de cima abaixo e disseste: "Ficas ainda mais bonita enfurecida. Vemo-nos amanhã. Traz uma roupa decente"! - Urghr, cabrão!
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